“A gente não quer mais apenas reproduzir conteúdo, mas produzi-lo”, diz estudante que participou da ocupação

“A gente não quer mais apenas reproduzir conteúdo, mas produzi-lo”, diz estudante que participou da ocupação

A gerente de projetos do Cenpec, Claudia Petri, apresentou diversas informações e dados sobre o processo de reorganização da rede estadual de ensino proposto pelo Governo de São Paulo. Ela retomou as propostas da primeira reforma da rede, implementada em 1995 e comparou as justificativas e propostas de 20 anos atrás com as de 2015. Também mostrou índices e números, como o estudo feito pela Universidade Federal do ABC e análises que mostram que o ciclo único não aumenta as notas dos estudantes, além dos índices de esforço docente e o número médio de alunos por turma. Claúdia também falou sobre o envolvimento do Cenpec, a primeira instituição a se colocar publicamente sobre a questão, e também como a organização acompanhou e apoiou a ação dos estudantes em defesa da educação pública, manifestada pela ocupação das escolas em todo o estado. Ação que pressionou o governo a recuar e suspender a reorganização. “Claro que há fatores na rede que precisam ser estudados, discutidos, analisados, mas de uma maneira a criar mecanismos de diálogo com a Rede. Um reorganização pode sim ser uma alternativa, mas não da forma como o governo tentou fazer e nunca com o fechamento de escolas”, pontuou Cláudia.

A gerente de projetos do Cenpec destacou também que o movimento de ocupação das escolas pelos estudantes foi política na melhor concepção da palavra, pois significou um marco na luta social do país e fortaleceu o envolvimento dos jovens nas questões da educação brasileira. “A escola precisa mudar, não pode seguir sendo a mesma do século 19. Afinal já estamos no século 21. Depois deste movimento dos estudantes, a escola não será mais a mesma. A dobradinha aluno/professor é a essência da escola e é esta a interação, que só acontece em sala de aula, precisa ser fortalecida para fazer a diferença”, afirmou.

O debate contou também com o relato de Ivysson Luz, estudante da escola Conselheiro Crispiniano, em Guarulhos. Ele contou como materiais didáticos e instrumentos musicais estavam em salas trancadas em que os alunos tivessem acesso à eles; criticou a forma como a escola organiza o grêmio e destacou que o movimento de ocupação das escolas é resultado de uma sucessão de eventos na educação paulista que teve início há 20 anos, quando a primeira reorganização foi implementada pelo governo. “Não estamos de acordo com o desmonte da educação pública paulista. Chegou a nossa hora de nos mobilizarmos, nos articularmos e defendermos nossas escolas. A gente não quer mais apenas reproduzir conteúdo, mas produzi-lo. Essa é a escola que queremos”, defendeu Ivysson, que pretende ser professor de história.

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