Sem presença da Secretaria Estadual de Educação, Câmara Municipal discute mudanças na rede de ensino de SP

Sem presença da Secretaria Estadual de Educação, Câmara Municipal discute mudanças na rede de ensino de SP

Estudantes, gestores da educação, sindicatos e professores lotaram a Câmara. Secretaria de Educação sequer enviou um representante à audiência. Serão fechadas 94 escolas no estado

Por iniciativa da Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Câmara Municipal de São Paulo, foi realizada, na noite de 28 de outubro, uma Audiência Pública na Casa para discutir os argumentos e impactos da reestruturação da rede estadual de ensino. Anunciada pela Secretaria Estadual de Educação para o começo de 2016, as mudanças preveem a distribuição dos alunos em escolas que passarão a atender apenas um ciclo de ensino: anos ou finais do Ensino Fundamental ou Ensino Médio.  As medidas estão causando revolta e indignação em estudantes, professores e pais.

Segundo a Secretaria 94 escolas serão fechadas em todo o estado (confira a lista no final desta matéria). Destas, 30 tiveram em 2014, um índice de avaliação superior a média do estado no Idesp, segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo. Ainda que a reforma tenha sido anunciada para o próximo ano, escolas estaduais já estão sendo fechadas, a maioria da capital paulista ficam na periferia.

Apesar da ausência do secretário de educação Herman Voorvald, que sequer enviou um representante da secretaria, o Salão Nobre da Câmara estava lotado por estudantes, gestores da educação, sindicatos, professores e outras pessoas interessadas em discutir o assunto. “Eu só posso lamentar a ausência da Secretaria Estadual de Educação que comprova a sua falta de interesse no debate e também a falta de transparência nesta mudança”, afirmou o vereador Toninho Vespolli (Psol) que destacou também que a reestruturação pode aumentar, tanto a evasão escolar como o número de alunos por sala de aula.

“O estrago desta mudança só não será maior por conta da reação da sociedade que vem ocupando as ruas e se posicionando contra a reestruturação. Os argumentos do governo não são convincentes e isso me parece mais um enxugamento da máquina”, afirmou o vereador Eliseu Gabriel (PSB).

De acordo com o presidente da Umes (União Municipal dos Estudantes Secundaristas), Marcos Kauê, as escolas que se mostraram protagonistas na mobilização contra as mudanças  tiveram seu fechamento cancelado, o que, segundo o estudante, comprova que a razão da medida é o corte de gastos no orçamento do governo para 2016. “O governo promove um debate totalmente equivocado. Não se fala em evasão escolar, vínculo afetivo, números de aluno por sala. Fechar escolas sem fazer um debate com estudantes e professores é inadmissível. A escola é um aparelho social para a comunidade, principalmente nos territórios mais vulneráveis”, afirmou. Das 25 escolas que serão fechadas na capital paulista, 16 se localizam nos extremos da cidade.

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Alunos da escola Padre Saboia de Medeiros, da zona sul de São Paulo, uma das que está na lista das escolas a ter suas portas fechadas, chegaram à Audiência com faixas e palavras de ordem pedindo apoio para que sua escola permaneça em atividade. “A gente espera receber um apoio grande dos vereadores para que isso não aconteça, porque afinal de contas, educação não é um gasto. Educação é investimento. Então viemos pedir não só o apoio para o não fechamento das escolas, mas também para que eles invistam mais. Queremos uma educação de qualidade, e se fechar vai acabar prejudicando muitas pessoas”, ressaltou o estudante e presidente do grêmio estudantil da Escola, Pedro Vieira.

Também presente na Audiência, a secretária estadual de formação da CUT, Telma Victor, trouxe o ponto de vista das trabalhadoras, mães dos alunos, que são as maiores responsáveis em garantir que seus filhos frequentem a escola, principalmente nas periferias do estado. “Estas mulheres têm um cotidiano árduo e essa mudança pode deixar tudo mais difícil. A escola tem vínculo com a comunidade”.

“Qual é o embasamento pedadógico desta mudança? Esta reestruturação é desumana, com alunos e professores que terão jornada e salários reduzidos. Temos, no estado de São Paulo uma juventude penalizada por um governo que não respeita a educação”, atacou a presidente da Apeoesp, Maria Isabel de Azevedo Noronha.

Estudantes e professores têm promovidos grandes mobilizações para pressionar que a mudança seja revertida. A próxima ação está programada para 6 de novembro, na avenida Paulista, em São Paulo.

 

 

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