Nota de Repúdio

Nota de Repúdio

Cenpec se posiciona sobre reivindicação de professores por melhores salários e condições de trabalho

O Cenpec  repudia a forma com que a reivindicação dos professores tem sido tratada no país, no que se refere às greves da categoria desencadeadas em diversos estados e municípios brasileiros. Os recentes fatos ocorridos em Curitiba e em São Paulo escancaram o descaso dos governantes com a educação de sua população. A consolidação de uma democracia está intrinsecamente ligada à oferta de uma educação de qualidade, que possa formar cidadãos preparados para construir uma sociedade justa e solidária. E para que isso se realize os professores são peça-chave.

Estes profissionais precisam ter voz; precisam ser valorizados, pois são de importância central no processo de aprendizagem. E essa valorização implica em um plano de carreira, em um salário digno e condições de trabalho, que passam pela infraestrutura da escola à garantia de horas de trabalho para planejamento pedagógico. Se não melhorarmos os salários dos professores, não vamos atrair bons profissionais para a área.

O Brasil é um dos últimos países do mundo no que se refere à remuneração dos professores, segundo pesquisa da consultoria internacional Gems Education Solutions, recentemente divulgada. Para a consultoria, a meta seria um salário quase três vezes maior que o atual.

Ignorar as reivindicações dos professores e tratá-los com violência é triste e preocupante, pois demonstra a importância que o estado concede a esses profissionais, tão importantes em nossa sociedade.

Eliane Brum, sobre os últimos acontecimentos em sua coluna no jornal El País, afirmou: “Agora, o incômodo. O que esse limite revela sobre o que não é limite? É louvável que as pessoas se revoltem ao ver professores sangrando ou desmaiando ou sendo ameaçados por cães pit bull. Se não nos revoltássemos nem com isso seria ainda mais dramático. Mas por que testemunhar durante décadas professores brasileiros, dos diversos estados do país, ganhando um salário incompatível com uma vida digna é um fato com o qual parece ser possível conviver, tão possível que chegamos a esse ponto depois de 30 anos de democracia? Por que escolas caindo literalmente aos pedaços, naufragando a cada chuva, numa materialização explícita da situação crônica da educação pública, é algo com o qual a maioria se acostuma? Por que o fato de os professores serem ameaçados por alunos e às vezes por pais de alunos em salas de aula, num confronto entre desesperados, uma versão urbana da guerra dos miseráveis que atravessa os rincões do Brasil, é algo que se tolera?“.

Veja a íntegra do artigo da jornalista aqui.

 

Compartilhar:

Deixe um comentário

You must be logged in to post a comment.

/* ]]> */