Seminário do Inaf

Seminário do Inaf

Pesquisa analisará o que mudou no alfabetismo e nas práticas de leitura da população nos últimos 10 anos

O que mudou nos níveis de alfabetismo no Brasil nos últimos 10 anos? Completada uma década de criação do Inaf (Indicador de Alfabetismo no Brasil), é hora de analisar a série histórica de dados produzida, comemorar avanços e detectar desafios. 

 Seminário foi realizado nos dias 3 e 4 de dezembro na Ação Educativa

Nos últimos dias 3 e 4, o Cenpec, a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro realizaram em São Paulo (SP) seminário com pesquisadores, especialistas, gestores e representantes de fundações empresariais sobre o tema “Perspectivas e visões do alfabetismo no Brasil: 2001-2011”. 

 

“É um período muito interessante porque nesses 10 anos muita coisa mudou no País: a distribuição de renda da população, o surgimento de novos padrões de consumo, mudanças nos próprios níveis de alfabetismo com um aumento no nível básico, a disseminação do acesso a internet e às tecnologias digitais. Como isso se reflete na distribuição do alfabetismo no Brasil? E nas práticas de leitura e escrita da população brasileira?”, afirma o coordenador de Desenvolvimento de Pesquisas do Cenpec, Antonio Batista. 

 

O encontro serviu como ponto de partida para uma grande investigação – iniciativa das três organizações promotoras do seminário – que será realizada a partir da série histórica do Inaf. “O objetivo é apreender o que mudou e o que não mudou nessas duas dimensões – do alfabetismo e das práticas – nesse contexto de mudanças mais gerais”, explica Batista. 

 

Na ocasião, os pesquisadores e especialistas presentes, a partir de uma primeira exploração dos dados, apresentaram que questões pretendem analisar e ouviram comentários e sugestões de seus pares, de gestores, como André Lázaro, ex-secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, e Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do MEC. Representantes da Fundação Itaú Social e da Fundação Volkswagen –instituições apoiadoras da iniciativa – também deram sua contribuições do ponto de vista do investimento social privado. 

 

Os estudos realizados serão compilados em um livro cujo lançamento está previsto para entre maio e agosto do próximo ano. A obra integrará coleção iniciada em 2002, com o livro “Letramento no Brasil”, organizado por Vera Masagão Ribeiro, e à qual se adicionou um segundo título em 2004, “Letramento no Brasil – Habilidades Matemáticas”, organizado por Maria da Conceição Reis Fonseca (UFMG). 

 

Segundo o coordenador de pesquisas do Cenpec, a ideia é que posteriormente também seja lançado um conjunto de outros subprodutos que apresentem os resultados das análises de forma mais direcionada para gestores, professores, educadores, de modo que essa grande investigação impacte diretamente as políticas públicas voltadas para essa população de 15 a 64 anos. 

 

Inaf
Criado em 2001, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) pesquisa a capacidade de leitura, escrita e cálculo da população brasileira adulta. 

 

É considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.

 

Segundo Antonio Batista, não existem pesquisas mais abrangentes que descrevam e analisem o conjunto das práticas de leitura dos brasileiros e os seus mais diferentes tipos de texto ou suportes, como livros, revistas, jornais, impressos, digitais, e as diferentes esferas de atividade humana, como trabalho, lazer, religião, vida cotidiana.  

 

“O Inaf faz um levantamento bem mais abrangente nas mais diferentes esferas e permite esse retrato bem mais amplo e compreensivo das práticas de leitura e escrita no País”, ressalta. 

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