Folha: Em São Paulo, escolas têm pouco espaço para ações independentes

Folha: Em São Paulo, escolas têm pouco espaço para ações independentes

FOLHA DE S. PAULO | 30/09/2017

Escolas em diferentes redes, municipais, estaduais ou federais, têm graus menores ou maiores de vários tipos de autonomia. A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) mede, por exemplo, autonomia de escolas pelo mundo no que diz respeito à gestão de recursos, definição do currículo, de métodos de avaliação e de admissão de alunos –poder de dar ou não entrevistas não é mensurado. No Brasil, o nível de autonomia das escolas é mais baixo que em países com melhores sistemas de educação. São Paulo não é exceção.

“Temos o direito de trabalhar os temas na sala de aula. Mas a autonomia de gestão, de currículo, administrativa, não temos. Isso é ruim”, diz Maria Izabel Noronha, professora na rede pública há 15 anos e presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP.

Segundo Noronha, a grade curricular imposta pelo governo à rede limita o que o professor pode trabalhar. “Temos que adequar nossa jornada a essa grade, o que é lamentável. Nossa postura frente ao currículo teria que ser mais ampliada”, diz.

Estudo do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) mostra que São Paulo tem um currículo posto pelo Estado muito extensivo, que dá pouca margem para personalização do ensino.

Segundo Antônio Augusto Gomes Batista, coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Cenpec, é um comentário recorrente de professores da rede paulista que o currículo estadual e o material didático que o acompanha –de uso obrigatório, segundo Noronha– dão pouco espaço para a introdução de conteúdos relacionados à realidade de cada escola.

“O currículo comum precisa ser complementado por conteúdos locais, que cada escola deve selecionar. O currículo de uma rede nunca pode ser tão extenso que não permita a introdução de conteúdos de cada escola.”

Há autonomia para que escolas façam suas avaliações internas, mas a existência de uma avaliação estadual unificada, o Saresp, atrelada a bônus, também contribui para homogeneizar a rede. Como escolas que vão bem recebem bonificações, há um interesse em tirar boas notas. E já que a avaliação cobra o currículo estadual, melhor colocar todo o foco nisso.

Batista diz que as avaliações externas passaram a induzir aquilo que a escola ensina. “Como só se avalia português e matemática, essas disciplinas passaram a ser as principais. Muitas escolas da rede de ensino passaram a preparar para esses exames.”

Para ler a íntegra da reportagem, clique aqui.

Compartilhar:

Deixe um comentário

You must be logged in to post a comment.

/* ]]> */