BRASIL
08 FEVEREIRO 2010
SEGUNDA-FEIRA
23:10
Cultura : PEÇA VOLTADA PARA PÚBLICO JOVEM ABORDA TEMA DO BULLYING E DA VIOLÊNCIA
29/04/2009 (1845 leituras)



Atores em cena da peça DNA (Divulgação)Está em cartaz na cidade a peça "DNA", estrelada pela companhia de teatro Arthur-Arnaldo, com a direção de Tuna Serzedello. Direcionada a um público jovem, a peça aborda questões como bullying, ética e violência em uma linguagem ágil e com trilha sonora de bandas atuais, como Portishead e Beastie Boys.

Em entrevista ao Cenpec, Serzedello falou um pouco mais sobre DNA e a Cia. Arthur-Arnaldo, premiada por trabalhos anteriores sobre temas contemporâneos e do universo jovem. "Percebemos que a sociedade só poderá ser alterada se os seus jovens tiverem uma formação e consciência do lugar em que vivem e dos problemas que os cercam".

Por que encenar uma peça sobre bullying? No que se baseou a escolha do tema?

TUNA SERZEDELLO: É a segunda vez que abordamos o tema, "Bate Papo" do irlandês Enda Walsh, que encenamos em 2007 tratava do tema do cyberbullying que tentava levar um jovem a cometer o suicídio. Agora em "DNA" voltamos ao tema por um outro enfoque, o da inconsequência. O bullying nos interessa por ser um assédio invisível, aonde o assediado poucas vezes revela o que sente. É uma forma brutal de opressão no qual muitas vezes o oprimido se torna cúmplice do opressor, pois para ser aceito no grupo se sujeita a várias humilhações, como nos mostram os trotes universitários e a situação retratada na própria peça. A escolha do tema se baseou em uma indignação com os recentes casos de violência entre jovens que só queriam "se divertir" e acabaram ultrapassando todos os limites.


Que tipo de reflexão a peça espera suscitar nos jovens?

Espero que os jovens que assistam DNA saiam do teatro repensando a sua conduta com seus colegas. É nas atitudes mais simples, e no silêncio daqueles que testemunham atos de bullying e violência sem dizer nada é que está a solução do problema. DNA não se propõe a ensinar nada, nem dar nenhuma lição de moral, apenas mostra o que pode acontecer se agirmos somente com nossos instintos.


A peça pode orientar professores a compreender e a lidar melhor com a questão do bullying nas escolas?

A peça pode ajudar aos adultos a entender os mecanismos que levam ao bullying e tentar romper com o ciclo que causa o problema. Não existe uma fórmula para conter ou evitá-lo. Acho que a peça tem a função de suscitar a discussão e trazer aos olhos dos espectadores um assunto que acontece nos subterrâneos do comportamento jovem. Levar grupos de alunos e professores para, depois de assistirem a peça, poderem discutir o tema, e, ao comparar a trajetória dos personagens com os alunos da vida real, levantar pistas de como lidar com o problema em cada instituição de ensino. A questão do bullying passa também por outros temas importantes como a ética, a moral e o senso de cidadania dos jovens de hoje.


Essa é a terceira peça que a companhia encena que trata de temas contemporâneos e do universo juvenil. Por que a opção por esse enfoque?Atriz em cena da peça (Divulgação)

A Cia. Arthur-Arnaldo, desde sua fundação em 1996, procurou levar ao palco temas que debatessem o universo social e político, acreditando na mudança da sociedade a partir do teatro. Percebemos que a sociedade só poderá ser alterada se os seus jovens tiverem uma formação e consciência do lugar em que vivem e dos problemas que os cercam. Os adultos de amanhã não têm hoje um teatro que os represente e coloque em cena os seus questionamentos, ajudando-os a sentir-se parte da sociedade, por estarem nela representados e ter suas questões discutidas. Pensando em ajudar a suprir esse hiato, nos aventuramos em encenar peças com temas contemporâneos e relevantes ao universo jovem. Encenamos "Bate Papo" de Enda Walsh em 2007, espetáculo que foi contemplado com o Prêmio Miryam Muniz da Funarte e que teve 3 indicações ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2007, incluindo Melhor espetáculo jovem de 2007. Em 2008 encenamos "Cidadania" de Mark Ravenhill que tratava do tema da descoberta da sexualidade na adolescência a partir de um garoto que tem dúvidas de gênero. A peça teve uma repercussão muito grande e contou com o primeiro beijo gay do teatro jovem. Indicada em 3 categorias ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2007, incluindo Melhor espetáculo jovem de 2008, conquistou o prêmio de melhor ator para o protagonista Fábio Lucindo. Os três espetáculos fazem hoje parte do repertório da Cia Arthur-Arnaldo. Mais informações sobre a Cia estão no blog: http://www.arthur-arnaldo.zip.net/


A peça é uma adaptação do texto de Denis Kelly, um dramaturgo inglês até então inédito no país. Você poderia contar um pouco mais sobre o autor?

Dennis Kelly é considerado pela crítica inglesa como o mais interessante autor britânico a surgir nos últimos anos. Escreveu as peças Debris (2003), Osama the Hero (2005),Love and Money (2006), After the End (2006) e Taking Care of Baby (2007). A sua obra já foi encenada na Alemanha, Áustria, Suíça, Eslováquia, Holanda, República Checa, Portugal, Itália, Austrália, Japão e Estados Unidos. DNA é a primeira peça de sua autoria a ser encenada no Brasil.

Serviço:
Peça DNA
De 1 a 16 de agosto e de 5 a 13 de setembro
Direção:
Tuna Serzedello
Local: Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros (Rua Deputado Lacerda Franco, 333 - Pinheiros - Tel.: 3032-4888 (Estacionamento tarifado no local)
Ingressos: R$ 20,00 (¹/2 entrada: R$ 10,00) - A bilheteria abre 1 hora antes do início do espetáculo
Quando: Sábados às 18h e domingos às 17h30

Agenda de outras apresentações da Cia Arthur-Arnaldo:

Espetåculo "CIDADANIA"  Dias 22 e 29 de agosto

Espetáculo "BATE PAPO"  -  Dias  23 e 30 de agosto

 

 
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