Organizações são convidadas a ingressar na Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária

Organizações são convidadas a ingressar na Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária

GIFE | 09/02/2018

Encontro de lançamento da Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária.

Encontro de lançamento da Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária.

Uma nova iniciativa pretende reunir organizações que desenvolvem iniciativas de promoção de uma educação de fato significativa para seus estudantes, professores, famílias e comunidades. Acaba de ser lançada a Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária, iniciativa liderada no país pelo Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), em articulação com o Centro Latino-Americano de Aprendizagem e Serviço Solidário (CLAYSS), com apoio da Rede Ibero-Americana de Aprendizagem-Serviço.

A rede já obteve a adesão de diversas instituições, como Instituto Singularidades, Instituto Unibanco, Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), AlfaSol, Instituto Querô e Mori Educação, entidades que integram o Comitê de Governança. Além delas, participam o SESC Nacional e a UNISOL Brasil – Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários.

O convite para a constituição dessa rede partiu do CLAYSS, que já articula uma rede latino-americana baseada neste conceito, que surgiu na Argentina, no início dos anos 2000, como resposta de parte da sociedade às questões colocadas pela crise econômica e social vivida naquele país. Os argentinos buscaram apoio nos referenciais sobre educação da Unesco e do Fórum Econômico Mundial, para garantir múltiplas formas de letramento e de desenvolvimento de competências e habilidades, em diferentes espaços de aprendizagem.

A aprendizagem solidária é uma concepção de educação que busca promover o desenvolvimento integral por meio de vínculos com as comunidades locais e também as globais. Envolve o protagonismo e a participação dos estudantes em todas as etapas, e a articulação de currículos e saberes para o exercício da cidadania, a ação solidária e o mundo do trabalho.

Hoje, uma rede internacional de mais de 90 organismos governamentais, universidades e organizações da sociedade civil atua com o conceito de aprendizagem solidária, na América Latina, América do Norte e Espanha.

A rede no país

Para a criação da rede no Brasil, algumas organizações, incluindo o CENPEC e o Instituto Singulares, por exemplo, foram convidadas pelo CLAYSS para participar de um seminário a respeito do tema, na Argentina, e, partir daí, encontrar similaridades e articulação com as experiências educacionais já desenvolvidas por aqui.

Wagner Santos, coordenador do Núcleo de Juventude do Cenpec, ressalta que o conceito de ‘aprendizagem solidária’ tem várias ressonâncias com outros conceitos de educação no Brasil. O próprio Cenpec, que desenvolve várias iniciativas junto aos territórios, como o Programa Jovens Urbanos, viu aproximações, tendo em vista a proposta de intervenção da juventude em iniciativas nas suas próprias comunidades – um dos pontos centrais da “aprendizagem solidária”.

Um destaque dessa metodologia, como explica Miguel Thompson, diretor do Instituto Singulares, é a proposição curricular em desenvolver projetos na sociedade a partir de interesses das comunidades, mas que tenha um vínculo de autoria com a comunidade escolar. “Como somos uma faculdade muito prática, para o ensino ativo, entendemos que fazia sentido participar da rede. O professor tem que ser um mediador do processo de ensino-aprendizagem, de promover uma aprendizagem significativa, trazendo da sociedade para as práticas e conceitos da escola”, comenta.

Segundo Miguel, essa proposta de intervenção por meio de projetos encontra eco com o momento atual do país, no qual as representações políticas estão obsoletas e surgem diversos movimentos coletivos no seio da sociedade, discutindo raça, gênero, mobilidade etc.

“A aprendizagem solidária se conecta muito com estes movimentos emergentes mundiais, pois eles estão conectados aos problemas locais. A rede pode agregar estes coletivos próximos à escola, que já desenvolvem projetos, trazendo esse conhecimento para dentro do currículo, e também levando a formalização do conhecimento curricular para ajudar na resolução dos problemas que estes coletivos têm apontado. Tais movimentos podem se valer dos processos de aprendizagem de investigação, de pesquisa, de sistematização etc.”, ressalta Miguel.

Segundo o coordenador do Cenpec, a proposta da rede é reunir as várias lutas, redes e reivindicações da educação já em curso, encontrando pontos comuns. Neste momento, a rede mapeia as iniciativas de solidariedade que já são desenvolvidas, estabelecem diálogo com os responsáveis e buscando adesões para a Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária.

“Queremos trabalhar juntos numa metodologia comum para dar a estas iniciativas fragmentadas uma cultura nacional, a fim de que possam dialogar. Em seguida, vamos disseminar as experiências em seminários e colóquios”, ressalta Wagner. Numa segunda fase, serão implementados projetos de pesquisa, elaboração de conteúdos a respeito da temática, assessoria e formação, com o objetivo de fortalecer essas iniciativas e as relações com as políticas públicas.

Próximos passos

A próxima atividade inclusive está prevista para dia 21 de fevereiro, a fim de discutir conceitos metodológicos e, em seguida, um seminário aberto ao público. A expectativa é que mais instituições e profissionais do setor se interessem em participar e passem a fazer parte da iniciativa. Os interessados em conhecer mais sobre a metodologia da aprendizagem solidária podem obter detalhes em www.clayss.org.ar. Para integrar a rede, é necessário entrar em contato pelo e-mail wagner@cenpec.org.br.

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