Entrevista: Como promover a participação dos alunos no projeto político – pedagógico?

Entrevista: Como promover a participação dos alunos no projeto político – pedagógico?

ESTADÃO | 16/10/2017

Todo estudante deve contribuir para a construção do projeto político-pedagógico (PPP) escolar – é lei! Está no artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases  da Educação Nacional (LDB). Embora seja um direito assegurado na legislação, dados do Todos Pela Educação  mostram que, em 2011 (dado mais recente disponível), apenas 40,7% das escolas brasileiras  construíram seus PPPs com a colaboração de pais, alunos, professores e diretoria. Além da LDB,  o Plano Nacional de Educação (PNE) também busca garantir a participação dos alunos nesse processo, por meio da estratégia 19.6.

Diante deste quadro, a técnica do Núcleo de Juventude do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) Lilian Kelian comenta as vantagens de estimular a participação dos estudantes na política pedagógica das instituições escolares. Veja abaixo a entrevista que ela concedeu ao blog De Olho na Educação.

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TPE: Como se dá a participação dos estudantes no PPP ?

Lilian Kelian: A participação dos estudantes pode acontecer de múltiplas formas, seja por representação nas instâncias formais da escola como, por exemplo, Conselho Escolar e Grêmio Estudantil, ou por caminhos menos institucionais como os coletivos juvenis, atividades culturais e/ou esportivas.

TPE: Quais os benefícios dessa prática para a relação professor-aluno?

Lilian Kelian: Quando os professores têm ferramentas para lidar com os conflitos que surgem a partir da participação dos estudantes, a relação se fortalece e a confiança aumenta. O envolvimento dos jovens com a escola melhora o clima no ambiente e favorece a aprendizagem, especialmente quando a participação influencia a escolha de conteúdos e métodos trabalhados pelos professores em sala de aula. Quando a escola exercita relações mais democráticas, crianças e jovens percebem que ela requer boas capacidades de expressão, abertura ao diálogo e amplas capacidades de compreensão.

TPE: Qual o principal desafio para incentivar essa prática?

Lilian Kelian: O maior desafio é o de sustentar boas condições de diálogo, mesmo que a partir dele [diálogo] venham à tona posições, ideias ou propostas com as quais o docente discorda. Há ainda dois aspectos. O primeiro é que ao mesmo tempo em que o educador deve mediar conflitos dos estudantes, ele também pode colocar suas convicções. O segundo é o das relações intergeracionais, pois as gerações se colocam de maneiras diferentes em relação a certos assuntos – tão diferente que às vezes é difícil encontrar compreensão mútua.

TPE: Como o Cenpec incentiva essa prática às escolas parceiras ?

Lilian Kelian: A atuação do Cenpec na formação inicial de professores pode ser entendida como incentivo para o aprimoramento da gestão democrática nas escolas. Na medida em que reconhecemos a autonomia do professor, caminhamos para ampliar as condições para que ele reconheça a autonomia do estudante. Exemplo concreto: o Cenpec está desenvolvendo, em parceria com a Secretaria do Estado de Minas Gerais, espaços de formação de professores nos quais se discute como os desejos dos estudantes do Ensino Médio podem ser integrados ao currículo escolar [como manda a estratégia 3.1 do PNE, que visa ofertar propostas curriculares inovadoras para os jovens brasileiros, atendendo aos seus interesses].

Para acessar a publicação original, clique aqui.

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