OSCs contribuem para a formação docente na própria escola, indica estudo

Programas de formação continuada de educadores realizados por organizações da sociedade civil ocorrem, principalmente, na própria escola. Esta é uma das conclusões do Mapeamento das OSCs (Organizações da Sociedade Civil) na Formação Continuada de Professores da Educação Básica, divulgado no dia xxx.

O levantamento é uma iniciativa do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), executada pela GIP (Gestão de Interesse Público), pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Conhecimento Social. Ao todo, foram analisados 100 programas de formação de professores da educação básica, desenvolvidos, entre 2014 e 2015, por 86 organizações de todas as regiões do país (Conheça a metodologia utilizada).

O estudo demonstra que 48, quase a metade das iniciativas analisadas, são oferecidas presencialmente; 39 são realizadas na modalidade semipresencial; enquanto apenas uma minoria, somente 12, é ministrada totalmente à distância. As evidências indicam que estas últimas frequentemente são as ações que alcançam maior número de professores. Além disso, nenhuma das inciativas que atingem mais do que 5 mil professores são totalmente presenciais (Leia mais sobre o alcance das ações realizadas pelas OSCs).

Outra importante constatação é a alta frequência de iniciativas de formação realizadas nos próprios estabelecimentos de ensino. O levantamento demonstra que a maioria das iniciativas têm suas ações desenvolvidas dentro da escola. Em segundo lugar, aparecem em espaços cedidos pelas redes de ensino, seguido por outros espaços públicos.

Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Cenpec, avalia positivamente o fato de as ações formativas desenvolvidas pelas OSCs ocorrerem nas escolas. Ao mesmo tempo, ela destaca a necessidade de que essas atividades estejam articuladas às necessidades e às especificidades de cada escola, sempre com o objetivo maior de cada estudante avance em seus conhecimentos.

 “Não basta encaminhar os docentes para cursos da Secretaria ou repassar programas de treinamento prontos. É fundamental que toda escola tenha um plano de formação, que envolva docentes e a coordenação pedagógica, no qual constem de forma clara os objetivos referentes ao aperfeiçoamento da prática docente, e estejam previstas metas de curto e médio prazo para a sua execução”, defende Amabile.

Ampliar a cultura da escola como um espaço de formação é um desafio, dada a pouca disponibilidade de tempo para formação do professor na escola. O último levantamento da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores Educação), oito redes de ensino estaduais no ainda não destinam um terço da jornada docente às atividades extraclasse, como determina a Lei do Piso do Magistério, de 2008.

Além disso, os próprios docentes reconhecem a necessidade de ações formativas para aperfeiçoar seu trabalho em sala de aula. Dados tabulados pelo Qedu indicam que 51% dos mais de 262 mil professores que responderam ao questionário da Prova Brasil em 2015 acreditam ter nível alto ou moderado de necessidade de formação na disciplina principal que leciona.

A análise do questionário da Prova Brasil indica que, naquele ano, 85% dos professores respondentes participaram de cursos ou oficinas sobre metodologias de ensino na sua área de atuação. Quase um terço afirma que essas atividades não impactaram ou pouco impactaram sua prática em sala de aula. Já 55% afirmaram que houve um grande ou moderado impacto.

Para Silvia Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisalá, entretanto, não basta investir apenas na formação em serviço do professor, o desafio é muito maior, trata-se de uma mudança cultural sobre a concepção de educação, de escola e da prática do professor.

Nesta mesma linha de análise, Bernardete Gatti, pesquisadora e diretora vice-presidente da Fundação Carlos Chagas, chama a atenção para o fato de que a formação inicial pouco dialoga com a escola. Inúmeros estudos evidenciam que Questões próprias do cotidiano do professor não são trabalhadas na formação inicial. Segundo ela, “faz-se necessário tanto estimular os jovens a escolher o curso como garantir a sua permanência. É necessário investir nos alunos que escolhem fazer licenciatura”.

 

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