Boletim Educação e Pesquisa 03

Reprovação escolar:  adesão depende das crenças que o professor tem sobre avaliação e justiça e do acesso 
a pesquisas sobre o tema. capturar-2

 

Os professores que são mais favoráveis à reprovação tendem a ser adeptos de conceitos específicos sobre avaliação e justiça escolar. Em relação à justiça na distribuição do conhecimento, esses educadores geralmente acham que os alunos devem receber o mesmo tratamento, independentemente da origem social, e ser reconhecidos segundo o talento ou mérito (é a justiça meritocrática, que se contrapõe à corretiva e à igualdade de tratamento). Quanto à avaliação, acreditam que ela tem de levar em consideração o desempenho do aluno em relação ao grupo-classe, por meio da comparação entre os pares (avaliação normativa).

Esse é um dos principais resultados da pesquisa Crença de professores sobre reprovação escolar, realizada com professores dos ensinos fundamental e médio de todo o país. Trata-se de uma amostra de conveniência obtida junto a docentes que participaram, em 2014, da plataforma de um programa de formação de professores de escolas públicas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Educação Comunitária (Cenpec). Cerca de 5.500 docentes (6% do total de inscritos na plataforma) responderam ao questionário. A amostra tende a representar profissionais que estão em busca de formação continuada. No caso dos que atuam nos anos finais dos ensinos fundamental e médio, representa apenas professores de língua portuguesa.

O estudo feito no Brasil é parte de um projeto internacional, coordenado pelo pesquisador belga Marcel Crahay, da Universidade de Genebra, Suíça, em que participaram também França, Bélgica, Suíça (cantões em que se fala francês), Romênia, Bulgária e Turquia. O projeto buscou entender que concepções sobre o desenvolvimento do ensino e os princípios de justiça e avaliação se associam às crenças de professores sobre reprovação.

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