Pobreza não ‘sela destino’ de desempenho ruim, diz estudo

Pobreza não ‘sela destino’ de desempenho ruim, diz estudo

via Estado de São Paulo

 O nível socioeconômico é um dos fatores que mais impactam o desempenho da escola, mas não “sela” o destino dessas unidades. Características como oferta de reforço escolar, maior presença e menor rotatividade dos professores, menor número de falta dos alunos e até o acesso prévio à pré-escola ou creche pode fazer com que os alunos atinjam resultados mais satisfatórios, ainda que em condições de pobreza.

É o que aponta um levantamento realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a pedido da reportagem do Estado. Para realizar o estudo, o Cenpec utilizou os microdados do Ideb de 2009 a  2013 (os de 2015 ainda não foram divulgados), mostrando as características das escolas que apresentaram melhora ou piora na nota neste período.

Um aumento na proporção de alunos de classe D e E, de fato, pode impactar a nota da escola:  a cada 1% a mais de alunos nestas faixas, em relação aos de classe A e B, a estimativa é que haja uma redução de melhorar a nota em 4%. Se os alunos repetiram alguma série, também há mais chance de nota mais baixa: 3,3%. 

Mas um dos fatores que mais impactam a melhor dos estudantes está relacionado à escola: se a unidade oferecer reforço escolar, a chance de elevar a nota é de 48,4%. Por outro lado, se os professores da escola faltam, a chance de melhorar a nota cai 19,1%.

O estudo também levantou os fatores que fazem as escolas públicas com melhor desempenho piorarem. Se os alunos da escola faltam muito, por exemplo, a chance de a nota piorar aumenta 46,8%. O histórico dos estudantes também conta: ter feito pré-escola ou creche faz com que a chance de a nota da escola diminuir caia em 1,3%.

Veja as principais relações identificadas no estudo do Cenpec nas tabelas abaixo. 

 

Anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano)

Variáveis estatisticamente significativas para a mudança ou não da escola da faixa dos Idebs mais baixos, impacto na chance de mudança de faixa e intervalos de confiança

 

Estimativa

Limite inferior

Limite superior

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes Classe C (em relação aos de A e B)

-1,8%

-2,6%

-1,0%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes Classe D (em relação aos de A e B)

-4,0%

-4,6%

-3,3%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes Classe E (em relação aos de A e B)

3,8%

-4,6%

-2,9%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes que repetiram anos

-3,3%

-3,7%

-2,8%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes que trabalham

-6,2%

-6,9%

-5,6%

Escola pertencer à rede municipal

66,2%

35,9%

103,8%

Escola oferecer reforço escolar

48,4%

24,8%

77,1%

Professores da escola faltam (na opinião do diretor)

-19,1%

-28,7%

-8,4%

Anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano)

 Variáveis estatisticamente significativas para a mudança ou não da escola da faixa dos Idebs mais baixos, impacto na chance de mudança de faixa e intervalos de confiança

 

Estimativa

Limite inferior

Limite superior

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes das Classes A e B

1,4%

0,8%

2,0%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes das Classe C e D

-0,6%

-1,1%

-0,1%

Aumento de 1 p.p. na proporção de estudantes que fizeram pré-escola ou creche

-0,8%

-1,4%

-0,3%

Escola oferecer reforço escolar

42,4%

20,5%

68,7%

Ocorrência de alguma rotatividade dos professores (na opinião do diretor)

24,8%

9,8%

41,8%

Alunos da escola faltam (na opinião do diretor)

-24,3%

-34,1%

-13,1%

Professores da escola faltam (na opinião do diretor)

-20,3%

-30,6%

-8,6%

 

 

Para acessar a publicação original, clique aqui.

  

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