Base Nacional Curricular: para especialistas, segunda versão deverá sair superior

Base Nacional Curricular: para especialistas, segunda versão deverá sair superior

Seminários estaduais discutirão problemas em aberto, como progressão, educação integral e interdisciplinaridade

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está em sua segunda versão, que passa agora por nova revisão e consulta pública. O processo está sob a responsabilidade da União Nacional dos Dirigentes de Educação (Undime) e do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed), que organizaram seminários estaduais para a discussão com estudantes, professores e profissionais da educação. Segundo a doutora pela Faculdade de Educação da USP e fundadora do Grupo Mathema, Kátia Smole, a segunda versão deverá sair superior à primeira.
 
“Os textos se mostraram mais amadurecidos e coerentes com as propostas das áreas. O ensino religioso ganhou status de área do conhecimento. Houve uma mudança importante na forma da redação dos objetivos, que estão mais claros e apresentam uma melhor coerência e progressão entre eles. Para o ensino médio, foi considerada uma redação que acompanha as discussões que o MEC tem feito em parceria com outros atores de reforma desse segmento”, pontua.  
 
O sociólogo Cesar Callegari concorda. “Houve um melhor entendimento da educação infantil, na qual serão consideradas três diferentes etapas. Destaco também um melhor alinhamento das disciplinas e uma coerência em relação à sua evolução, principalmente no ensino médio”, opina. 
 
Temas em aberto
Pontos como a progressão, uma visão de educação integral e a questão de maior integração entre as disciplinas não foram completamente resolvidos e devem ser discutidos nos seminários.
 
“O documento pode melhorar na explicitação dos objetivos intermediários. Eles estão muito genéricos e, no geral, se referem a aspectos muito elementares, abordando apenas competências e habilidades como identificar e reconhecer. Outros, como analisar e relacionar conhecimentos foram pouco contemplados”, opina a superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária),  Anna Helena Altenfelder.
 
“Nos anos iniciais do ensino fundamental, na área de língua portuguesa, verificamos que é necessário aperfeiçoar a progressão dos objetivos em relação à progressão da complexidade textual, por exemplo. Esperamos que seja aprimorada, em especial aqueles relacionados ao processo de alfabetização”, completa.  
 
Para Callegari, ainda falta clareza na incorporação das diretrizes nacionais relacionadas à alfabetização nas diferentes etapas do ensino fundamental. “Em relação ao ensino médio, precisamos considerar que boa parte dos nossos alunos ainda não prestam Enem ou vão para a faculdade. Assim, alguns pontos do universo do trabalho deveriam ser contemplados nesse momento”, ressalta. 
 
Terceira versão 
A segunda versão da base foi produzida pela equipe do MEC com ajuda da Universidade de Brasília, após receberem mais de 12 milhões de contribuições. Ao final dos seminários, previsto para agosto de 2016, um relatório será produzido e entregue ao MEC que, por sua vez, o encaminhará ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Caberá ao CNE redigir uma terceirão versão e enviá-la à sanção ministerial. 
 
O início da gestão do governo interino e a troca de ministros não influenciaram nas discussões da BNCC, que manteve seu cronograma. Contudo, há uma apreensão com os prazos estabelecidos. “Acredito que a terceira versão estará ainda melhor. Contudo, é importante que o prazo de conclusão não ultrapasse o final de outubro ou começo de novembro, como está previsto. Um atraso pode desmobilizar a sociedade civil, que tem acompanhado o debate, e trazer grandes prejuízos a este processo”, destaca Anna.
 
Já Callegari acrescenta outras preocupações em relação à última versão. “O Brasil possui problemas sociais, econômicos e educacionas, mas não podemos ficar reféns disso. A BNCC deve ir além”, diz. “Não podemos recuar diante de posicionamentos conservadores. Os alunos não podem ser privados de discutir questões de gênero e sexualidade. Por fim, espero que a BNCC não seja submetida ao Legislativo e fique a mercê de disputas de natureza política e partidária”, assinala. 
 
A BNCC visa descrever os conteúdos e saberes necessários para cada ano e segmento da educação básica. O documento irá fundamentar o currículo de todas as escolas do Brasil. Para o sociólogo, a implantação da BNCC representará um avanço para a educação. “Mesmo que ela não esteja perfeita, é um início. Os debates continuarão e os currículos poderão ser aperfeiçoados”, finaliza. 

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