O território importa

O território importa

via UOL EDUCAÇÃO

Em um ano em que teremos eleições municipais, a discussão sobre os territórios ganha importância fundamental. Afinal, como são escolhidas as regiões para a implementação dos investimentos públicos? Quais critérios são adotados? Por que políticas públicas universais não impactam da mesma forma os diferentes territórios? Por que os alunos de escolas localizadas em espaços de alta vulnerabilidade social têm menores índices de aprendizagem? Enfim, são inúmeras as questões que podemos e devemos fazer aos candidatos.

Buscando contribuir com esse debate, a Fundação Tide Setubal, em parceria com a Folha de S. Paulo, realiza hoje o Seminário Internacional: Cidades e Territórios: encontros e fronteiras na busca de equidade. Como já nos dizia o geógrafo brasileiro Milton Santos, o território é o lugar de pertencimento, onde acontecem experiências reais e concretas nas relações nas quais estamos imersos. Os locais em que vivemos englobam uma complexa e dinâmica teia de relações econômicas, sociais, culturais e ambientais.

O território é nosso local de moradia ou de trabalho, onde temos diversos problemas para se demandar dos responsáveis. Ao mesmo tempo, é o lugar de encontrarmos muitas potências. Nele tudo se junta, e vemos o reflexo das políticas decididas em nível nacional ou regional. Por exemplo, os investimentos em educação feitos pelo poder público refletem diretamente na qualidade e estrutura das escolas públicas de nosso bairro. Por isso, deveríamos acompanhar como tais políticas são implementadas, quais os resultados alcançados, quem são os vereadores da região, etc.

 

As manifestações nas ruas que ocorreram em todo país desde 2013 têm nos ensinado que, enquanto sociedade, temos um papel de participar, acompanhar e reivindicar por melhores condições de vida. Somos também corresponsáveis pelas políticas e rumos do país e especialmente das cidades onde moramos.

No seminário discutiremos como alargar o espaço público, construindo pontes, integrando centros e periferias e tendo como norte o direito de todos à cidade. São Paulo se configura como uma metrópole ao mesmo tempo rica economicamente e culturalmente. Mas ainda temos enormes desigualdades sociais. Por isso, os debates passam por questões econômicas, sociais e ambientais. Discutiremos não só a segregação espacial, mas também a riqueza das conexões culturais e da voz dos jovens na mobilização pela melhoria das periferias.

Finalizaremos toda essa discussão com uma palestra do sociólogo francês Choukri Ben Ayed, que nos contará sobre a experiência francesa de políticas específicas para escolas localizadas em regiões de pobreza, apontando seus limites e potencialidades. Será muito interessante podermos entender melhor essa experiência implementada há mais de 20 anos, e que leva em conta toda a complexidade e a delicadeza de se lidar com essas escolas.  Debateremos, por exemplo, os problemas de se concentrar em uma mesma escola uma população bastante homogênea étnica e socialmente, e como incentivar políticas para se alcançar uma maior heterogeneidade social e racial. Pensar o território em suas diferentes dimensões é um jeito de qualificar o debate sobre as cidades, especialmente nas eleições deste ano.

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