Net Educação: Políticas devem impedir que escolas integrais acentuem desigualdades sociais

Net Educação: Políticas devem impedir que escolas integrais acentuem desigualdades sociais

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O Centro de Pesquisas e Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) divulgou, nesta quarta-feira (2/03), os resultados preliminares do estudo “Ensino Médio, Qualidade e Equidade: Avanços e Desafios em Quatro Estados – CE, GO, PE e SP”. Uma das conclusões é a de que o nível socioeconômico dos alunos tende a ser maior nas escolas de tempo integral e no ensino regular diurno, enquanto o ensino regular noturno tende a ter alunos com menor renda e taxa de distorção idade-série maior. A exceção a esse diagnóstico fica por conta de Pernambuco.

“A diversificação na oferta de matrículas no ensino médio é positiva, pois atende às diversas juventudes que existem no Brasil. Contudo, é preciso cuidado para que a escola integral não aumente a desigualdade das oportunidades educacionais. O jovem que precisa trabalhar dificilmente escolherá a escola de tempo integral”, explica o coordenador de pesquisas do Cenpec, Antônio Gomes Batista. A reputação da escola, por exemplo, foi apontada como o principal motivo para a escolha da escola pelos jovens de período integral. Já entre os alunos do noturno, a escolha da escola se dá por ser a única instituição perto de casa, no bairro ou município.
 
Segundo Batista, é preciso implementar políticas para evitar uma “seleção social” dos alunos a longo prazo, como mais escolas integrais em regiões de vulnerabilidade social e programas de bolsa para alunos que necessitam trabalhar. Além disso, o ensino regular noturno precisa ter um modelo educacional específico. “Não adianta achar que é uma versão do diurno com menos horas. As necessidades são outras”, relembrou.
 
As escolas integrais também apresentaram menor percentual de professores temporários – com exceção do Ceará – e professores com mestrado e doutorado – exceção de PE. Nos quatro estados, os professores de escolas de meio período têm maior carga de trabalho se comparado aos das integrais. 
 
Pernambuco como caso
Não houve uma forte correlação entre matrícula e nível socioeconômico nas escolas integrais de Pernambuco. Isso porque 77% dos municípios do estado só possuem uma escola de ensino médio, a grande maioria já com turnos integrais. “Primeiramente, Pernambuco tomou uma decisão política de só implementar escolas integrais em espaços privilegiados, onde o modelo teria condições de dar certo. Contudo, com o passar dos anos, eles expandiram as integrais para todas as microrregiões do estado”, esclarece Batista.
 
Uma segunda conclusão da pesquisa é que o modelo de política educacional dos quatros estados é orientado para a gestão de resultados. Batista lembrou que, atualmente, há um monitoramento exaustivo no processo de ensino e aprendizagem e um currículo detalhado, motivado pela baixa formação dos professores. “Em alguns casos, o material didático cita o que deve ser ensinado na semana, no dia e o que é esperado no final do bimestre e do semestre. Este modelo tem eficácia limitada. Já vemos que há casos em que o Ideb não cresce. Contra isso, é preciso investir na formação de professores, que saibam não só qual é o seu objeto de ensino como tenham didática”, argumenta. 
 
Espaço de socialização
A terceira conclusão do estudo do Cenpec é que os jovens mantêm uma relação positiva com a escola e vem nela um importante instrumento para uma colocação no mundo do trabalho. “Vimos que a escola é o principal espaço de socialização dos jovens, além da Igreja”, pontuou Batista. 
 
A investigação usou procedimentos quantitativos e qualitativos. A escolha pelos Estados de SP, GO, PE e CE se deu pelo fato deles implementarem de forma mais abrangente medidas como ampliação de matriculas em tempo integral, monitoramento dos processos pedagógicos, investimento em reformas curricular e em formação continuada. Os dados analisados são de 2014. “Fomos atravessados, por exemplo, pela questão das organizações sociais e da militarização das escolas, no caso de GO, este ano”, lembrou Batista.Confira os principais resultados da pesquisa aqui.  

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