Base Nacional Comum Curricular recebeu mais de 10,5 milhões de contribuições, diz representante do MEC

Base Nacional Comum Curricular recebeu mais de 10,5 milhões de contribuições, diz representante do MEC

A mesa-redonda Base Nacional Comum – onde estamos? abriu o 11º Encontro USP Escola.  Mais de 200 pessoas lotaram o auditório para acompanhar o debate sobre a proposta do Ministério da Educação para a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que, desde a abertura da consulta pública em 16 de setembro, recebeu mais de 10,5 milhões de contribuições.

 

Participaram das discussões Anna Altenfelder, superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária); Ricardo Cardozo, coordenador geral do Ensino Médio-MEC; Ismar Soares, professor da ECA-USP; e a professora Kátia Varela, do Grupo de Trabalho USP-Escola.

 

Em sua fala, Ricardo informou que a BNCC recebeu mais de 10,5 milhões de contribuições, das quais cerca de 60% foram feitas por professores. Ainda de acordo com ele, o MEC contratou a DataUnb para fazer a análise quantitativa e qualitativa dos dados e assegurou que todas as sugestões ficarão disponíveis ao público para dar transparência ao processo.

 

Ao comentar alguns dos resultados das pesquisas Consensos e Dissensos sobre a Base Nacional Comum Curricular e Currículos para os anos finais do Ensino Fundamental: concepções, modos de implantação e usos , Anna Helena Altenfelder afirmou que a discussão curricular no país tem muitos desafios a enfrentar, seja para aperfeiçoar o documento, seja no processo de implementação.

 

Ela lembrou que a Base é apenas uma parte do currículo e que estados e municípios deverão complementar em seus documentos curriculares a questão da diversidade, assegurando assim as identidades e conhecimentos locais. Contudo, o estudo demonstra que estes aspectos foram tratados de forma muito superficial nos currículos estaduais produzidos ou reelaborados nos últimos anos. Além disso, ela criticou a tendência das redes de ensino em privilegiar as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática: “A avaliação está subordinando os documentos curriculares. E isto é bastante preocupante”.

 

Já a presença inédita da Educomunicação na proposta inicial do MEC foi elogiada por Ismar.  Segundo levantamento feito por ele, cerca de 80 componentes do documento abordam essa área do conhecimento. Ao mesmo tempo, o professor critica a ausência, na área de linguagens, de espaços que garantam a alunos e professores a formação específica para que esses objetivos sejam cumpridos e desenvolvidos nas escolas.

 

Em sua fala, a professora Katia Varela comentou sobre algumas das discussões que o GT tem realizado nas redes sociais com quase 600 docentes. Segundo ela, ainda há muitas dúvidas sobre como as contribuições feitas via consulta pública serão ou não acatadas pelo MEC. Também comentou sobre as condições precárias de trabalho nas escolas e a dificuldade em desenvolver uma abordagem interdisciplinar. “Muitos professores perguntam como darão conta em duas aulas semanais de tudo o que a Base propõe. Se aquilo é o mínimo, como fazer?”, indagou.

 

Em resposta, o representante do MEC afirmou que é preciso um esforço de “desapego” para que o documento seja uma síntese.  “Há uma concordância de que a Base precisa ser enxuta (…) Temos ouvido muito sobre o que faltou (na BNCC), mas ninguém diz o que sobrou”.  Entusiasta da Base, Ricardo afirmou que a sociedade deve se mobilizar, conhecer o documento e participar da consulta pública para assegurar o melhor documento possível. Segundo ele, a base poderá subsidiar as discussões sobre as políticas de formação inicial e continuada de professores, de avaliação e de financiamento, como o CAQ (Custo Aluno Qualidade).

 

 

Compartilhar:

Deixe um comentário

You must be logged in to post a comment.

/* ]]> */