Em debate, especialistas questionam prazo para base comum do ensino

A Folha de S.Paulo apresenta alguns dos pontos discutidos no debate promovido sobre a Base Nacional Comum Curricular, realizado no Jornal no dia 14/12. Participaram das discussões Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec; Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco; a professora Hilda Micarello, representante do Ministério da Educação (MEC); Demétrio Magnoli, sociólogo e colunista da Folha; Ilona Becskeházy, mestre em educação pela PUC-RJ e da jornalista Sabine Righetti, mediadora do encontro. Veja abaixo a íntegra do texto:

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Em debate, especialistas questionam prazo para base comum do ensino

RODRIGO RUSSO
DE SÃO PAULO

15/12/2015, 17h24

 

Em debate promovido na noite desta segunda-feira (14) pela Folha, especialistas em educação questionaram o prazo para elaboração da Base Nacional Comum Curricular.

O documento que organizará o ensino básico no país deve ser concluído até o fim de junho de 2016, segundo a lei do Plano Nacional de Educação.

“Não sou otimista com a ideia de que em um ano teremos uma base comum”. Se o vetor norteador for ‘vamos entregar logo’, acho que vai dar besteira”, afirmou Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), questionou se o tempo será suficiente para um currículo mínimo que tenha consenso e legitimidade.

Representante do Ministério da Educação (MEC) no debate, a professora Hilda Micarello, doutora em educação, disse que o grande indicador sobre a viabilidade do prazo será a segunda versão do documento, e que então “teremos que voltar a discutir isso”.

Uma versão preliminar da base comum foi divulgada em setembro e está disponível na internet, em página onde os interessados podem enviar contribuições, críticas e sugestões. Até o momento, Micarello disse que já foram enviadas mais de 8 milhões de mensagens.

Nesta terça-feira (15), aliás, uma comissão passa a julgar as propostas, para com isso elaborar até março a segunda versão mencionada por Micarello. Não foram divulgados, contudo, os critérios para acatar ou não as recomendações encaminhadas ao MEC.

Para Ilona Becskeházy, mestre em educação pela PUC-RJ, o documento inicial divulgado pelo MEC é muito frágil, e o modo de participação social “abre uma caixa de Pandora”, o que fragiliza o documento final.

Na opinião de Demétrio Magnoli, sociólogo e colunista da Folha, o problema da base comum proposta é a captura do seu processo de produção por um grupo ideológico. Magnoli questionou em particular o currículo de história.

“O problema é a pergunta que orienta a base da disciplina. Propõe-se um currículo para oferecer uma resposta sobre a identidade essencial brasileira, questão comumente feita por ideólogos e que pede uma resposta romântica”, criticou.

Hilda Micarello, coordenadora da comissão de especialistas responsável pela base, reforçou que o texto tem caráter preliminar e que o grupo tem estudado as críticas e propostas de especialistas e da sociedade civil para aperfeiçoar a versão final.

 

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