Educação adequada: Jornal O Globo publica opinião sobre o Currículo Básico Nacional

Educação adequada: Jornal O Globo publica opinião sobre o Currículo Básico Nacional

TEMA EM DISCUSSÃO: Currículo básico nacional 

POR NOSSA OPINIÃO | 

Parece evidente que uma questão permeou a elaboração do esboço da Base Nacional Comum Curricular, documento que o Ministério da Educação divulgou em setembro como ponto de partida para a adoção de um currículo nacional unificado no ensino básico: o que o estudante deve aprender na sala de aula? Ela suscita outra, adjacente: o que professor deve ensinar aos alunos?

Não são perguntas retóricas: nortear o conteúdo que as escolas passam aos estudantes, principalmente no ciclo final do fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio, é crucial para o país enfrentar graves gargalos do aprendizado, explícitos em indicadores que saltam a cada avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). E municiar o magistério também não é uma preocupação gratuita: uma consulta do Ibope a docentes de todo o país revelou que 92% dos profissionais com turma nas escolas reclamaram da inexistência de uma plataforma comum para o trabalho com os alunos.

Estas são, no âmbito específico do trabalho em sala de aula, apenas duas das importantes questões que a Base Nacional Curricular deverá contemplar até meados do próximo ano, quando, se espera, o MEC adotará em todo o país um currículo básico unificado. Outras, não menos essenciais, dizem respeito à filosofia do que se pretende implementar nas escolas do país, como a interação entre as disciplinas, a garantia de que, mesmo com a unificação curricular, não serão negligenciados princípios como a regionalização do ensino, a obediência ao pressuposto de que na reta final do ensino médio os estudos devem se concentrar em disciplinas da área que o estudante pretende cursar no ensino superior (uma obviedade curricular nem sempre levada em conta na grade das escolas), entre outros pontos.

 
É claro que, por si só, a adoção de um currículo básico não será a panaceia para as diversificadas demandas do ensino brasileiro. Paralelamente a essa plataforma, é preciso que sejam enfrentadas deficiências e problemas generalizados que ainda envergonham a “pátria educadora”. Eles estão na raiz de um sistema de ensino do qual resultam males como altos índices de evasão escolar, carência de material e falhas na formação dos professores, questões como baixa remuneração do magistério, crise gerencial e o arraigado corporativismo sindicalista que costuma desviar a discussão de temas pedagógicos para o terreno da ideologia (e de onde se pode esperar resistências à unificação curricular).

São todos aspectos de um mesmo problema, o do ensino no país, do qual decorre, por exemplo, a pífia participação das universidades brasileiras nos rankings internacionais de excelência. O Brasil precisa se mirar nos modelos de países que enfrentaram com sucesso suas demandas educacionais. E deve fazê-lo sem se dobrar a previsíveis pontos de tensão no front sindical e com a comunidade acadêmica, em geral presa a linhas de trabalho essencialmente teóricas, sem grandes preocupações empíricas. São desafios que o ensino brasileiro tem pela frente.

O GLOBO  http://glo.bo/1M6otva 

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