Educação Infantil é tema central da segunda Audiência Pública sobre o Plano Municipal de Educação

Educação Infantil é tema central da segunda Audiência Pública sobre o Plano Municipal de Educação

Dando continuidade ao processo de discussão do Plano Municipal de Educação de São Paulo, aconteceu neste sábado, 23 de agosto, a segunda audiência pública na Câmara Municipal.  A atividade teve como temas Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação Inclusiva e contou com a participação da professora da Faculdade  de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), Lisete Gomes Arelaro.
A professora Lisete apresentou suas contribuições e críticas sobre as metas e estratégias discutidas nesta audiência. Ela acredita que a redução no número de alunos por sala, prevista na segunda meta do PME, deva ser fundamental para a melhoria do ensino. “A discussão que o Plano gera sobre a importância de se considerar número de alunos por professor é preponderante para se discutir a qualidade de ensino. O desenvolvimento máximo do aluno está relacionado com o fato de o professor estar em condições de lhe prestar total atenção”, comentou.
Confira aqui a íntegra das considerações apresentadas por Lisete Arelaro sobre o texto substitutivo do Plano Municipal de Educação.
A audiência teve uma ampla participação de profissionais da educação infantil que relataram a dificuldade em atender bebês e crianças pequenas, com a devida qualidade, em salas lotadas. Porém foi colocado também que não basta apenas reduzir, mas garantir que esta redução esteja atrelada ao projeto pedagógico, garantindo, assim, a tão desejada qualidade de ensino.
Ainda sobre a educação infantil, esteve em debate também a unificação entre CEI’s (Centro de Educação Infantil) e EMEI’s (Escola Municipal de Ensino Infantil) e a existência das creches conveniadas. “Nós defendemos a unificação por se tratarem da mesma coisa, a mesma faixa etária, os mesmos professores, a mesma qualificação. Com a unificação nós freamos também a questão da terceirização”, argumentou Claudete Alves, presidente do Sedin (Sindicato da Educação Infantil). Lisete Arelaro também se colocou a favor da unificação, de forma que a educação de zero a seis anos seja tratada num bloco único. Atualmente na cidade, os CEI’s atendem crianças de zero a três anos, enquanto os EMEI’s trabalham com as de quatro a seis anos.
Pontos como o crescimento do processo de medicalização nas escolas, a necessidade de uma interdisciplinariedade nas secretarias para o atendimento à infância; a ausência de estratégias relacionadas às práticas esportivas no ensino fundamental e na educação inclusiva também foram apresentadas.
A colaboradora do Cenpec e representante da instituição no Grupo de Trabalho de  Educação da Rede Nossa São Paulo, Maria José Reginato, destacou a importância da retomada da discussão participativa do plano e a contribuição de especialistas, como a professora Lisete Arelaro, nos debates. Ela destacou também a ausência de uma estratégia de formação continuada na meta 3, que versa sobre a qualidade de ensino na educação básica. Em relação  à oferta de cursos de pós-graduação para professores da rede (Meta 4- Valorização profissional), indicou a inclusão de prioridade para pesquisas sobre questões da própria rede e da educação na idade. Sobre a meta 9, referente à educação integral, pontuou: “É preciso incluir que a oferta de atividades educacionais diversificadas devem ser articuladas ao projeto pedagógico da escola e não ficarem isoladas em si mesmas”.
Presente nas primeiras discussões sobre o Plano Municipal de Educação, realizada em 2010, Maria Adalgiza Pinto, que também é articuladora local na região do Capão Redondo do Projeto Jovens Urbanos do Cenpec, destacou a estratégia 3.5, da meta sobre qualidade de ensino, que fala sobre Conselhos Escolares e Grêmios Estudantis. Para ela o Plano precisa garantir a existência efetiva destas instâncias, pois esta é uma responsabilidade da escola. “É necessário que a prática da democracia seja exercida  e incentivada pelas escolas a partir destas práticas dos Grêmios e dos Conselhos Escolares. Não podemos correr o risco disso ser burocratizado.”
Lisete Arelaro, da FE-USPLisete Arelaro destacou um ponto de atenção permanente que deve permear todas as discussões: o entendimento de que a existência de um currículo único irá garantir uma escola de qualidade: “É claro que precisa ter diretrizes centrais, mas o projeto pedagógico precisa estar atrelado ao território e suas características”. Lisete manifestou ainda preocupação com a ausência da participação da Secretaria Estadual de Ensino no debate sobre a educação na capital paulista e defendeu a existência de discussões descentralizadas para envolver a população de outras regiões da cidade.
A próxima audiência pública, agendada para 30 de agosto, será sobre ensino médio, educação de jovens e adultos e educação profissional.
 
Quem não puder participar presencialmente das discussões, pode mandar suas sugestões online. A Câmara Municipal disponibilizou uma ferramenta onde a população pode encaminhar suas ideias.
 
Confira: http://pme.camara.sp.gov.br/participe.html

     

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